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Capítulo 26 : Relações Virtuais, amigos de verdade

em Qui Ago 16, 2018 8:23 pm
Capítulo 26 : Relações Virtuais, amigos de verdade


Relações virtuais: amigos de verdade?
SOCIOLOGIA
As relações virtuais decorrem da adaptação de situações sociais às novas
tecnologias e às novas formas de comunicação. No entanto, não devem ser
substituídas pelas relações reais.

As relações virtuais não devem ser substituídas pelas relações reais
Se existe um fenômeno que parece estar com seus dias contados este é o
isolamento social, seja de um grupo em relação aos outros à sua volta, seja o
isolamento individual de uma pessoa em relação à comunidade, sociedade ou
cultura na qual está inserida. Mas por que desapareceria? A resposta para tal
questão perpassa pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e
informação, como a internet, os quais, ao final do século XX e início do século
XXI, têm promovido um maior contato entre todos os pontos e povos do planeta.
Somos considerados antípodas dos japoneses (pois estaríamos do lado oposto
do globo terrestre em relação ao Japão), mas, mesmo assim, as notícias de
tsunami e maremotos chegaram ao Brasil (e resto do mundo) em poucos minutos
após os acontecimentos. Isto apenas foi possível graças às novas tecnologias e
mídias que acabaram por ‘diminuir distâncias’.

Mas o que dizer, então, mais especificamente, dos relacionamentos pessoais
nesse mundo virtual? Com o advento da internet, as formas de comunicação e
interação sofreram uma importante revolução. As antigas cartas de papel e as
ligações telefônicas, apesar de ainda existirem, perderam espaço para o mundo
das salas de bate-papo, mensagens de texto instantâneas, e-mails, além de
várias redes sociais. Facebook e Orkut são bons exemplos desses novos tipos de
relacionamentos mediados pelo computador, pela internet, pela tecnologia. De
fato, a possibilidade da conexão com um grande número de pessoas, somada à
velocidade com que comunicação e informação chegam a cada pessoa, são
todos atrativos dessas novas tecnologias. A cada dia cresce o número de

pessoas conectadas e os usuários desses espaços, os quais dedicam parte
considerável de seu tempo à interação virtual, na busca por amizades, relações
amorosas, empregos, entre outras finalidades.

Quais as consequências para a vida humana? Essas relações são de verdade?
São efetivas e afetivas de fato? São confiáveis? Essas são perguntas que aqui
não se tem a pretensão de responder, mas apenas de fazer um convite à
reflexão. A psicóloga e socióloga Sherry Turkle defende em seu trabalho que por
conta dessa virtualização das relações os indivíduos estariam perdendo a
capacidade de lidar com as complexidades das relações humanas. Mais
especificamente, ela propõe que a despeito de pensarmos que estamos juntos e
da sensação de companhia, estamos na verdade sozinhos. Logo, esse tipo de
relacionamento virtual possui fragilidades do ponto de vista da vida e do sentido
das relações humanas de fato.

Considerando que as pessoas podem construir personalidades e identidades que
nem sempre são condizentes com a realidade, as relações mediadas pela
internet podem ser um engodo, o que sugere que as proximidades virtuais não
são, necessariamente, efetivas como as reais. Em um momento em que se
valoriza o individualismo como sentido da vida, e prefere-se a comunicação
escrita intermediada pelo computador em detrimento à conversa direta – olho no
olho – corre-se o risco de se construir relações fragilizadas pela falta da presença
humana.
Não se pode negar o papel que as redes sociais e demais formas de
comunicação por meio das tecnologias possuem na conformação da sociedade.
Elas são importantes não apenas para a comunicação, mas para a troca de
informações e conhecimento (basta pensarmos na quantidade de dados e
conhecimentos que estudantes e pesquisadores de todo mundo podem acessar),
além de serem fundamentais no que diz respeito ao mundo da economia, do
trabalho, da prestação de serviços, entre outros (até mesmo intervenções
médicas são feitas pela rede em tempo real).

O que se deve considerar é que por trás do discurso da vida moderna e das
benesses da tecnologia (ou pelo menos por trás desse encanto que a tecnologia
exerce) se escondem efeitos colaterais que, na verdade, podem representar
retrocessos no sentido da valorização daquilo que nos torna humanos quando se
trata de relação pessoal. Os relacionamentos humanos requerem um tipo de
atenção que, conforme aponta Sherry Turkle, não pode prescindir da atenção
humana ou da presença real.

Assim, retomando a questão do isolamento presente no início desse breve texto,

se por um lado esse fenômeno parece estar em extinção (isolamento no sentido
de desconhecimento ou alienação dos acontecimentos ao redor de um grupo ou
indivíduo), do ponto de vista da vida individual dos sujeitos e das relações sociais,
ele se faz muito presente. O isolamento estaria implícito, camuflado pela
sensação do compartilhamento, da companhia, ambas criadas pelo mundo
virtual. Logo, podemos sofrer de uma solidão ou de um vazio existencial mesmo
que repletos de amigos nas redes virtuais. Como apontam os especialistas, uma
possível solução não estaria em se desconectar, mas sim em não substituir a vida
real por uma virtual.
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