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Capítulo 6 : Etnocentrismo

em Qui Ago 16, 2018 8:53 pm
Capítulo 6 : Etnocentrismo


Etnocentrismo
O etnocentrismo é uma avaliação pautada em juízos de valor daquilo que é
considerado diferente.

O etnocentrismo trata-se de uma avaliação pautada em juízos de valor daquilo
que é considerado diferente
Se a cultura no que tange aos valores e visões de mundo é fundamental para
nossa constituição enquanto indivíduos (servindo-nos como parâmetro para
nosso comportamento moral, por exemplo), limitar-se a ela, desconhecendo ou
depreciando as demais culturas de povos ou grupos dos quais não fazemos
parte, pode nos levar a uma visão estreita das dimensões da vida humana. O
etnocentrismo, dessa forma, trata-se de uma visão que toma a cultura do outro
(alheia ao observador) como algo menor, sem valor, errado, primitivo. Ou seja, a
visão etnocêntrica desconsidera a lógica de funcionamento de outra cultura,
limitando-se à visão que possui como referência cultural. A herança cultural que
recebemos de nossos pais e antepassados contribui para isso, pois nos
condiciona ao mesmo tempo em que nos educa.

O etnocentrismo trata-se de uma avaliação pautada em juízos de valor daquilo
que é considerado diferente. Por exemplo, enquanto alguns animais como
escorpiões e cães não fazem parte da cultura alimentar do brasileiro, em alguns
países asiáticos estes animais são preparados como alimentos, sendo vendidos
na rua da mesma forma como estamos habituados aqui a comer um pastel ou
pipocas. Assim, o que aqui é exótico, lá não necessariamente o é. Outro exemplo,
para além da comida, é a vestimenta, pois, tomando como base o costume do
homem urbano de qualquer grande centro brasileiro, certamente a pouca
vestimenta dos índios e as roupas típicas dos escoceses – o chamado kilt – são
vistas com estranheza. Da mesma forma, um estrangeiro, ao chegar ao Brasil,
vindo de um país qualquer com muita formalidade e impessoalidade no trato,

pode, ao ser recepcionado, estranhar a cordialidade e a simpatia com que
possivelmente será tratado, mesmo sem ser conhecido.

Estes são apenas alguns dentre tantos outros exemplos que ilustram as
diferenças culturais nos mais diversos aspectos. O ponto alto da questão não
está apenas em se constatar as diferenças, mas sim em aprender a lidar com

elas. Dessa forma, no momento de um choque cultural entre os indivíduos, pode-
se dizer que cada um considera sua cultura como mais sofisticada do que as

culturas dos demais. Aliás, esta foi a lógica que norteou as ações de estratégia
geopolítica das nações dentre as quais nasceu o capitalismo como modo de
produção. Esses países consideravam a ampliação da produção em escala e o
desenvolvimento do comércio, da ciência e, dessa forma, a adoção do modo de
vida do europeu como “homem civilizado”, fatores necessários e urgentes. Logo,
caberia a este último a função de civilizar o mundo, argumento pelo qual se
defendeu o neocolonialismo como forma de dominação de regiões como a África.
Tomar conhecimento do outro sem aceitar sua lógica de pensamento e de seus
hábitos acaba por gerar uma visão etnocêntrica e preconceituosa, o que pode até
mesmo se desdobrar em conflitos diretos. O etnocentrismo está, certamente,
entre as principais causas da intolerância internacional e da xenofobia
(preconceito contra estrangeiros ou pessoas oriundas de outras origens). Basta
pensarmos nas relações entre norte-americanos e latinos (principalmente
mexicanos) imigrantes, entre franceses e os povos vindos do norte do continente
africano que buscam residência neste país, apenas como exemplos. A visão
etnocêntrica caminha na contramão do processo de integração global decorrente
da modernização dos meios de comunicação como a internet, pois é sinônimo de
estranheza e de falta de tolerância.

Contudo, a inevitabilidade do choque cultural é um fato, pois as culturas
naturalmente possuem bases e estruturas diferentes, dando significação à vida
de formas distintas. Prova disso estaria no papel social assumido pelas mulheres,
que certamente não possuem os mesmos direitos enquanto pessoa humana em
sociedades ocidentais e orientais. Este fato, aliás, tem sido objeto de longas
discussões internacionais acerca dos direitos humanos e das questões de
gênero. A complexidade dessa questão é muito clara, pois se para nós do lado
ocidental algumas práticas são contra o direito à vida e à emancipação; para
outras culturas essas mesmas práticas devem ser aceitas com naturalidade, pois
apenas reproduziriam uma tradição.

Dessa forma, a tolerância com relação à diferença é válida, mas seu limite não
está claro, pois como podemos aceitar pacificamente o apedrejamento de
mulheres ou a mutilação de seus corpos? Daí a necessidade da reflexão
constante sobre tais limites, uma vez que o maior objetivo sempre será o convívio

harmonioso e a valorização da vida.
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